Morre Zélia Amador de Deus, referência do movimento negro e da luta antirracista no Pará, aos 74 anos

Morre Zélia Amador de Deus, referência do movimento negro e da luta antirracista no Pará, aos 74 anos

A professora emérita da Universidade Federal do Pará (UFPA), que também foi vice-reitora da instituição entre 1993 e 1997, faleceu nesta terça-feira (8) em Belém, deixando um legado de décadas de ativismo como uma das fundadoras do Centro de Estudos e Defesa do Negro do Pará (Cedenpa) e defensora dos direitos quilombolas, das cotas raciais e do processo seletivo especial para indígenas e povos tradicionais. Nascida em Soure, no Marajó, filha de mãe solteira de 15 anos, ela enfrentou o racismo desde a infância e construiu uma trajetória que, segundo o reitor Gilmar Pereira, foi fundamental para tornar a UFPA mais plural e inclusiva. A historiadora Janira Sodré destacou que Zélia “norteou o olhar sobre o país” ao dar protagonismo às mulheres da Amazônia Negra, e a cantora Gaby Amarantos também prestou homenagem. No dia 18 de agosto, a professora havia recebido uma homenagem com o plantio de um baobá na universidade, árvore que ela associou à ancestralidade e à memória africana. O velório e sepultamento estão previstos para esta quarta-feira (9), com cortejo saindo da Igreja de Nossa Senhora das Graças, no bairro de São Brás, em Belém. Ela deixa três filhas, frutos do casamento com o professor José de Deus, e um legado de luta e resistência que ecoa por todo o movimento negro brasileiro.

Foto: Heloísa Torres/UFPA

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