Opas amplia acesso ao lenacapavir para prevenir HIV na América Latina

Opas amplia acesso ao lenacapavir para prevenir HIV na América Latina

A Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) vai ampliar o acesso ao medicamento lenacapavir para a prevenção do HIV na América Latina e no Caribe, disponibilizando o antirretroviral para 14 países da região, incluindo o Brasil. Dados da entidade indicam cerca de 140 mil novas infecções pelo HIV por ano na região, o que reforça a necessidade de ampliar o acesso a opções de prevenção eficazes. O lenacapavir é um tipo de profilaxia pré-exposição (PrEP) injetável de ação prolongada, administrado duas vezes ao ano. Em 2025, a OMS recomendou o medicamento como opção adicional no combate ao HIV, após ensaios clínicos demonstrarem eficácia de quase 100% na prevenção. A administração semestral representa uma alternativa importante para pessoas que podem ter dificuldades com esquemas de uso mais frequente. Poderão adquirir o lenacapavir por meio de fundos rotatórios regionais da Opas: Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, Equador, El Salvador, Guatemala, México, Panamá, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela. A nova via complementa acordos de licenciamento voluntário que já abrangem 24 países da América Latina e do Caribe, dentro de uma estrutura global que contempla 120 países. A Gilead Sciences, responsável pela produção, se comprometeu a avançar na transferência de tecnologia para o Brasil, com o objetivo de viabilizar a produção local; o processo ainda está em desenvolvimento e prazos e mecanismos não foram definidos. A incorporação aos programas nacionais será progressiva e dependerá de processos regulatórios, protocolos clínicos, capacitação de profissionais e planejamento programático, com cooperação técnica da Opas. O lenacapavir soma-se a outras opções de prevenção, como a PrEP oral diária ou sob demanda, o cabotegravir de ação prolongada e os preservativos, além do diagnóstico precoce e do tratamento antirretroviral. A Opas destaca que ampliar o acesso a ferramentas eficazes é essencial para reduzir novas infecções e avançar rumo à meta de eliminar o HIV como problema de saúde pública até 2030.

Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

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