O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, criticou o governo brasileiro por, na sua visão, ter falhado no enfrentamento às facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV), em documento anual enviado ao Congresso norte-americano, datado de terça-feira (15). Nele, Trump identifica países considerados importantes no trânsito ou produção de drogas ilícitas para o ano fiscal de 2027 e apresenta avaliações individuais sobre diferentes governos. Segundo o presidente, enquanto “muitos governos do Hemisfério Ocidental” adotaram “medidas corajosas” para reduzir os fluxos de drogas e erradicar os cartéis, “o governo do Brasil não conseguiu enfrentar as organizações terroristas estrangeiras designadas Primeiro Comando da Capital e Comando Vermelho, que transformaram o Brasil em um centro para os fluxos globais de cocaína”. Ele acrescentou que essas organizações “constituem uma ameaça crescente à paz e à segurança em todo o mundo” e que o governo brasileiro “precisa urgentemente adotar medidas agressivas para enfrentá-las e derrotá-las”. Os EUA já haviam designado PCC e CV como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTO) em maio, com vigência em 5 de junho, com base na seção 219 da Lei de Imigração e Nacionalidade e em ordem executiva de Trump; o secretário de Estado, Marco Rubio, afirmou que os grupos estão entre os mais violentos do Brasil e que suas redes ultrapassam fronteiras. O governo brasileiro contestou a classificação e defendeu que o combate seja feito pelo Brasil, com cooperação internacional e respeito à soberania. Apesar da crítica, o Brasil não é designado como país que “falhou de maneira demonstrável” nem figura na lista dos principais países de trânsito ou produção de drogas ilícitas, que inclui Afeganistão, Bolívia, Colômbia, Venezuela e outros. Em nota, o Ministério da Justiça e Segurança Pública refutou alegações de falhas ou omissões, citando a Lei Antifacção, sancionada em março de 2026, as dezenas de milhares de operações de combate ao crime e o Programa Brasil contra o Crime Organizado, lançado em maio, além da robusta cooperação já existente com os EUA e da proposta entregue pessoalmente por Lula em Washington em 7 de maio de 2026, aguardando resposta. No documento, Trump elogia governos alinhados, como Argentina, Equador, El Salvador e os novos governos de Venezuela, Bolívia, Colômbia e Peru, e critica México, Canadá e China, cobrando medidas mais agressivas contra o fentanil e precursores químicos.
Foto: Pari Dukovic/National Portrait Gallery, Smithsonian Institution

