A Justiça de Goiás condenou o médium João Teixeira de Faria, conhecido como João de Deus, a pagar R$ 20 milhões por dano moral coletivo em razão dos abusos sexuais cometidos contra mulheres que buscavam atendimento espiritual em Abadiânia. A decisão também responsabiliza o Centro Espírita Dom Inácio de Loyola pelos danos. As denúncias contra o médium ganharam repercussão nacional em dezembro de 2018, quando dezenas de mulheres relataram abusos ocorridos durante atendimentos. Segundo as investigações, os crimes teriam acontecido durante décadas, entre os anos 1980 e 2018. O caso envolveu vítimas que procuravam o local em busca de auxílio espiritual e tratamento para diferentes problemas.
João de Deus foi condenado em 15 processos por crimes de violação sexual mediante fraude e estupro contra 66 vítimas, acumulando pena de 458 anos, 11 meses e cinco dias de prisão. Atualmente, ele cumpre prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica, concedida em 2021 devido à idade e a problemas de saúde. Pela nova decisão, o valor de R$ 20 milhões deverá ser destinado a políticas públicas de proteção e apoio a mulheres vítimas de violência sexual, com prioridade para ações em Abadiânia. A Justiça também manteve o bloqueio de uma propriedade avaliada em aproximadamente R$ 41 milhões para garantir o pagamento. As vítimas ainda poderão buscar individualmente indenizações por danos materiais e morais.
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