Artesã de Belém alia sustentabilidade e inspiração na produção de biojoias

Foto: Divulgação

Sementes variadas, cascos de ostras de água doce, palha, madeira e cerâmica, estão entre as matérias-primas utilizadas na confecção das bijoias do ateliê Toque Divino, que surgiu em 2006.

No início, a empreendedora Cida Matos fazia tudo sozinha, desde a produção até as vendas das peças. Todo lucro era reinvestido no empreendimento para aumento da produtividade.

Pulseiras, colares, brincos com traços regionais, peças com mistura de metal dourado e madrepérola, madeiras e outros elementos, fazem parte da sua produção. “O diferencial do meu produto no mercado, é que não é só uma coisa, não é só madeira, só semente, é um mix de muitos materiais que a gente pega da natureza e vou utilizando”.

Cida costuma buscar referências em outros produtos. “Eu crio, idealizo e monto os produtos, procuro inspiração em peças de resina que vendem em lojas e penso nelas como se fossem de madeira, de madrepérola. Vou usando a matéria-prima que tenho, fazendo a montagem e a harmonia das cores; as pessoas percebem isso”.

Lucineia Souza é de São Paulo e conheceu as biojoias da Toque Divino em uma de suas passagens pela capital paraense, a qualidade e por ser um produto diferenciado foi o que lhe chamou atenção. “A qualidade dos colares, por ser algo diferenciado, inédito, ter uma lógica sustentável e ambiental, cheio de cores, que valoriza a cultura de Belém do Pará, são peças que fazem muito sucesso, em São Paulo, as pessoas não estão acostumadas a ver esse tipo de biojoia”.

A empreendedora começou a vender os seus produtos nas praias da Ilha de Mosqueiro, depois aos domingos na Praça da República, em Belém, e nesse momento, a Toque Divino ganhou visibilidade e passou a ser convidada para participar de congressos e feiras de artesanato. Por causa do aumento do faturamento, Cida precisou deixar de ser Microempreendedora Individual (MEI) e hoje é uma Microempresa (ME).

Parceria que deu certo 

Cida tem o Sebrae como um grande parceiro que lhe abriu portas e contato com uma nova clientela e aumento de faturamento. Desde 2022, a empreendedora participa da Feira de Artesanato do Círio (FAC). “Eu nunca tinha me inscrito para participar da FAC, aí me inscrevi e começou a parceria com o Sebrae. Eu vendi muito. Já tínhamos uma clientela, mas por meio da FAC, ganhamos novos clientes e até hoje temos clientes do Rio, São Paulo e Bahia”.

Na instituição, Cida já fez consultorias de fluxo de caixa, precificação e como organizar uma loja física, que nessa última, teve auxílio da assessoria de um arquiteto, que a ajudou na formulação do ateliê, e um gestor financeiro.

O maior desafio da empreendedora ao sair do porte de MEI para ME, foi o fato de ter novas responsabilidades tributárias e a necessidade de um melhor gerenciamento financeiro. Hoje, Cida conta com uma equipe com três funcionários. “O Sebrae é um parceirão da Toque Divino. No patamar que a empresa chegou, foi graças a instituição. Após o Sebrae, tive um crescimento de 80% no faturamento”, explica.

Com foco nas redes sociais, a microempresária vê as vendas pelas plataformas digitais como o seu próximo desafio a ser vencido. O seu desejo, é que o e-commerce seja o carro-chefe da Toque Divino. “Eu quero montar um grupo para atender as vendas online”.

Economia Criativa na COP 30

Cida enxerga a COP 30 como oportunidade de fazer bons negócios e uma forma a mais de incentivo para criação das peças. “Tenho muitas novidades, tem peças que quero lançar para o ano que vem, algumas já vou lançar na FAC. Serão biojoias bem regionais, sem metal, pensando na sustentabilidade, porque sei que o povo vem atrás disso”.

Com receio do aumento do valor financeiro da matéria-prima, a empreendedora já está se organizando com antecedência para não deixar para comprar o material só em 2025, ano da conferência.

“Já estou estocando materiais, porque ano que vem a matéria-prima vai ficar escassa e cara. No segundo semestre, vou intensificar isso, estou apostando que a nossa produção vai vender toda. Vai ser uma concorrência muito grande, de artesãos de Belém e de fora do estado”, frisou a empreendedora que também já está se articulando para conseguir locais para expor o seu trabalho.

A analista do Sebrae no Pará, responsável pelo segmento de economia criativa na instituição, Alessandra Lobo, destacou o trabalho que tem sido realizado para a conferência. “Nós estamos preparando os empreendedores do ramo, a partir de treinamentos, consultorias, acesso a novos mercados e fortalecendo a economia local de forma sustentável”.

Para conhecer mais o trabalho da Cida, acesse o Instagram @tokdivinocriacoes

Por Agência SEBRAE de Notícias

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