Crise institucional prejudica debate eleitoral, avaliam entidades

Crise institucional prejudica debate eleitoral, avaliam entidades

A menos de um mês do primeiro turno das eleições de 2026, a escalada da crise político-institucional ofuscou o debate sobre propostas de campanha e problemas estruturais brasileiros, segundo entidades ouvidas pela Agência Brasil. Para a presidenta da Fenaj, Samira de Castro, o debate eleitoral está prejudicado porque as atenções estão voltadas para os reflexos da crise no Poder Judiciário. A presidenta da SBPC, Francilene Garcia, afirma que a agenda pré-eleitoral foi tomada por temas que a sociedade não escolheu e que há uma lacuna em relação a assuntos como ciência, que depende de regras estáveis e orçamento previsível. O coordenador honorário da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, Daniel Cara, considera as eleições deste ano as mais relevantes desde a Constituição de 1988, mas avalia que temas como desenvolvimento econômico, soberania nacional, defesa, educação, ciência e tecnologia estão escanteados, inclusive dos programas de governo. A presidenta do Diap, Rita Serrano, diz que, para a classe trabalhadora, são prioritários o fim da escala 6×1, a geração de emprego e renda, a regulamentação da negociação coletiva no setor público, a segurança pública e o aproveitamento de minerais críticos e estratégicos, mas que a crise jogou esses temas para segundo plano. O secretário executivo do Observatório do Clima, Márcio Astrini, critica o fato de poucos candidatos citarem a crise climática entre suas preocupações e lembra os efeitos da seca na Amazônia e das enchentes no Sul. O coordenador executivo da Apib, Alcebias Constantino, destaca a importância dos minerais críticos e das terras raras para a soberania nacional e cobra salvaguardas socioambientais e consulta prévia aos povos indígenas. A Apib decidiu lançar e apoiar 56 candidatos nas eleições deste ano.

Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

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