Pesquisadores de Brasil, Austrália, Alemanha e EUA identificaram um novo mecanismo global de fossilização que preservou tecidos moles e até moléculas orgânicas de esteroides em um pterossauro do grupo Anhangueridae, com cerca de 8 metros de envergadura, encontrado na Formação Romualdo, Bacia do Araripe (CE), depositado no Museu de Plácido Cidade Nuvens. O estudo inédito, publicado na revista iScience, revela que bactérias oxidantes de enxofre criaram microambientes químicos que desencadearam precipitação mineral em efeito “dominó”, selando o fóssil antes da degradação, conforme análises de tomografia 3D, geoquímica isotópica, microscopia eletrônica e espectrometria de massa. O paleontólogo Alexander Kellner, do Museu Nacional/UFRJ, destacou a extraordinária preservação e a importância da Bacia do Araripe como um dos sítios fossilíferos mais importantes do planeta, enquanto a professora Klitin Grici, da Universidade Curtin, afirmou que os traços de esteroides indicam que o animal provavelmente se alimentava de peixes ou lulas. O estudo reforça a parceria entre o Museu Nacional, a Universidade Regional do Cariri (URCA) e o INCT Paleovert, financiado pelo CNPq, ampliando o conhecimento sobre répteis voadores do Cretáceo.
Foto: Arte Kliti Gric

