O governo federal atualizou nesta segunda-feira (6) a chamada “lista suja” do trabalho escravo, que divulga os nomes de empregadores que submeteram trabalhadores a condições análogas à escravidão. Foram adicionados 169 novos empregadores — 102 pessoas físicas e 67 empresas —, um aumento de 6,28% em relação à última atualização. Entre os novos nomes estão o cantor Amado Batista e a montadora chinesa de carros elétricos BYD. Ao todo, a lista passa a ter cerca de 613 empregadores. Os casos ocorreram entre 2020 e 2025, em 22 unidades da Federação, com destaque para Minas Gerais (35), São Paulo (20), Bahia (17), Paraíba (17) e Pará (5). No total, foram resgatados 2.247 trabalhadores.
A BYD foi incluída após o resgate de 220 trabalhadores chineses em dezembro de 2024, em Camaçari (BA), que viviam em alojamentos sem condições de higiene, vigiados por seguranças armados, com passaportes retidos, jornadas exaustivas e sem descanso semanal. A empresa afirmou que a construtora terceirizada cometeu irregularidades e encerrou o contrato. Em 2025, o MPT-BA firmou acordo de R$ 40 milhões com a BYD e duas empreiteiras. Já Amado Batista aparece em duas autuações em Goianápolis (GO): uma no Sítio Esperança (10 trabalhadores) e outra no Sítio Recanto da Mata (4 trabalhadores), ambas em 2024. A “lista suja” foi criada em 2004 e é divulgada semestralmente pelo Ministério do Trabalho. Os nomes permanecem por dois anos, podendo ser retirados antecipadamente com assinatura de termo de ajustamento de conduta. Denúncias podem ser feitas no Sistema Ipê.
Foto: Wellyngton Souza/Sesp-MT

