No PCT Guamá, ciência e tecnologia são fundamentais para a redução do desmatamento na Amazônia

Foto: Sérgio Moraes/Fundação Guamá

Identificar sinais de destruição na floresta e gerar dados para proteger a Amazônia, são atividades presentes no Parque de Ciência e Tecnologia (PCT) Guamá. No complexo do Governo do Pará está localizada a Coordenação Espacial da Amazônia, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), onde funciona o Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter), projeto que colabora com a fiscalização do bioma e o combate ao desmatamento. “Desde a implantação do Inpe no PCT, em 2010, uma das missões do Instituto tem sido diariamente atendida, que é a de monitorar desmatamento, degradação e exploração florestal da Amazônia em tempo quase real, atendendo demandas dos órgãos de fiscalização. As informações geradas em laboratório auxiliam na fiscalização, que procura evitar e/ou coibir o desmatamento ilegal”, acrescenta Alessandra Gomes, coordenadora espacial da Amazônia.

Conhecimento, atenção e responsabilidade fazem parte do trabalho de monitoramento realizado por pesquisadores e profissionais que atuam no espaço, em áreas como geologia e computação. A equipe do Deter observa diariamente o que acontece na floresta, as áreas que passam por degradação, o desmatamento recente, os locais atingidos por queimadas e o início de processos de corte. “Olhamos novos desmatamentos, áreas de mineração, de cortes seletivos, áreas que passam por processos de perturbação com fogo, e por processos de degradação florestal proveniente de exploração madeireira, que pode começar assim e evoluir para uma degradação, um desmatamento”, detalha Arlesson Almeida Souza, que é o líder técnico do Deter.

Ciência e tecnologia em defesa da floresta

Na Amazônia, ciência e tecnologia desempenham um papel fundamental na proteção da floresta, seja pelo processo de geração das imagens, ou pelas informações que chegam por satélite. Equipamentos modernos e softwares são utilizados nas análises técnicas dos registros capturados. Arlesson explica que no caso do Deter, o software TerraAmazon, produzido pelo próprio Inpe, permite que o trabalho seja desenvolvido em equipe em uma estrutura de bancos de dados, com geração de imagens, de maneira que todos trabalhem em conjunto para as análises de uma determinada imagem. A ciência também é essencial e está presente nos levantamentos de dados através da cartografia, que se dedica a representação do espaço geográfico estudado.

Dados colaboram para fiscalizações do Governo

O sistema do Inpe, presente no PCT Guamá, mostra alertas diários e mensais do que foi derrubado e informa os órgãos de comando, controle e proteção sobre a ação do homem na floresta. Os dados ficam disponíveis no portal TerraBrasilis, plataforma para acesso, consulta e análise de informações geográficas de monitoramento da vegetação nativa. Os levantamentos não consideram a legalidade da degradação, já que esse tipo de avaliação não é de responsabilidade do Inpe, que apenas quantifica as ocorrências e assim contribuir com o poder público para ações de fiscalizações e a criação de políticas públicas. “Geralmente por volta das nove da noite os dados do Deter são divulgados, e ficam disponíveis. O governo em todas as suas esferas seja federal, estadual, municipal, e também estudantes, pesquisadores, a sociedade tem acesso e usa os dados do Deter”, afirma Arlesson.

Para a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Pará (Semas), que integra a Força Estadual de Combate ao Desmatamento, as informações do sistema do Inpe são essenciais para o monitoramento ambiental das áreas verdes do Pará. “Os dados de abril de 2024 do Deter mostram que o Pará teve uma redução de 67% em relação ao mesmo período de 2023, com a menor área recoberta por alertas de desmatamento da série histórica. O Deter também detectou redução nos 15 municípios considerados prioritários para o combate ao desmatamento no Pará. As informações obtidas são importantes para o planejamento das fases da Operação Amazônia Viva e da Operação Curupira, que conta com bases fixas em São Félix do Xingu, Uruará e Novo Progresso. Os dados são analisados e orientam o planejamento das equipes que vão a atuar no combate ao desmatamento”, explica Mauro O’de Almeida, secretário da Semas.

A coordenação do projeto explica que o sistema Deter surgiu para mostrar de maneira imediata a perda da cobertura florestal em áreas menores. Isso porque antes o Inpe monitorava apenas o dano em áreas maiores da floresta amazônica, a partir de 25 hectares, algo em torno de 25 campos de futebol, o que ocasionava uma destruição frequente em espaços abaixo dessa medida, e por isso o Deter passou a ter um papel muito importante porque colabora para que a destruição inicial seja logo vista, e consequentemente fiscalizada e combatida no próprio local. “Ter essas respostas principalmente em níveis de degradação, de que a floresta não seja convertida para cortes rasos. Então se os órgãos parceiros de comando e controle, Semas, Ibama, ICMBio, têm essas informações antes do processo de derrubada total da floresta, e com isso há possibilidade de evitar essa conversão”, explica Arlleson.

Referência em inovação na Amazônia

O PCT Guamá é uma iniciativa do Governo do Pará, por meio da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Educação Técnica e Tecnológica (Sectet), que conta com a parceria da Universidade Federal do Pará (UFPA), Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra) e gestão da Fundação Guamá.

É o primeiro parque tecnológico a entrar em operação na região Norte do Brasil e tem como principal objetivo estimular a pesquisa aplicada e o empreendedorismo inovador e sustentável.

Situado em uma área de 72 hectares entre os campi das duas universidades, o PCT Guamá conta com mais de 30 empresas residentes (instaladas fisicamente no parque), mais de 60 associados (vinculadas ao parque, mas não fisicamente instaladas), 12 laboratórios de pesquisa e desenvolvimento de processos e produtos, com o Inpe e a Escola de Ensino Técnico do Estado do Pará (Eetepa) Dr. Celso Malcher, além de atuar como referência para o Centro de Inovação Aces Tapajós (Ciat), em Santarém, oeste do Estado.

Membro da Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores (Anprotec), da Associação Internacional de Parques de Ciência e Áreas de Inovação (Iasp), o PCT Guamá faz parte do maior ecossistema de inovação do mundo.

Por Agência Pará

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