A prévia da inflação oficial de setembro ficou em 0,70%, a maior desde abril (0,89%), invertendo a deflação de agosto (-0,40%). A explicação principal é a devolução do bônus de Itaipu, desconto que os consumidores tiveram na conta de luz do mês anterior. Os dados são do IPCA-15, divulgado nesta sexta-feira (25) pelo IBGE. Com o resultado, o índice soma 4,47% em 12 meses, acima dos 4,24% de agosto; em setembro de 2025, a prévia havia marcado 0,48%. Em 2026, o IPCA-15 acumula 3,82%, com o seguinte comportamento mensal: janeiro (0,20%), fevereiro (0,84%), março (0,44%), abril (0,89%), maio (0,62%), junho (0,41%), julho (0,06%), agosto (-0,40%) e setembro (0,70%). Entre os nove grupos pesquisados, habitação teve a maior alta (2,07%, impacto de 0,31 ponto), seguida por despesas pessoais (0,96%), transportes (0,60%), artigos de residência (0,55%), comunicação (0,54%), vestuário (0,41%), alimentação e bebidas (0,40%), saúde e cuidados pessoais (0,13%) e educação (0,03%). A alta em habitação é explicada pela energia elétrica residencial, que subiu 7,42% em setembro, maior impacto individual do índice (0,29 p.p.), porque em agosto a conta de luz havia caído 6,25% com o bônus de Itaipu. Nos transportes, as passagens aéreas subiram 9,82%; os combustíveis ficaram 0,22% mais caros, com gás veicular (1,56%), gasolina (0,30%), diesel (-0,78%) e etanol (-0,22%). Na alimentação e bebidas, a alimentação no domicílio subiu 0,38%, após deflação de 0,97% em agosto; as maiores altas foram tomate (20,76%), arroz (2,39%) e carnes (1,30%), e as maiores quedas, feijão carioca (-6,33%), cebola (-4,41%) e café moído (-1,36%). O IPCA-15 tem metodologia semelhante à do IPCA, com meta de 3% em 12 meses e tolerância de 1,5 ponto; a coleta foi de 15 de agosto a 15 de setembro, em 11 localidades. O IPCA cheio de setembro será divulgado em 9 de outubro; o boletim Focus de 21 de setembro sinaliza expectativa de mercado de 0,52% para o mês.
Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil/Arquivo

