Projeto Casulo completa dois anos com 23.490 atendimentos na Poli Metropolitana

Foto: Alex Ribeiro/Agência Pará

Maio é um marco para a população trans do Pará. É que neste mês, em 2022, o Governo do Estado, implementou o Projeto Casulo. Nestes dois anos do novo fluxo, a Policlínica Metropolitana do Pará, localizada em Belém, atua como a protagonista nos atendimentos ambulatoriais, oportunizando, neste período, cerca de 400 acolhimentos às pessoas trans.

A Policlínica é responsável pelo atendimento ambulatorial especializado, o qual abrange desde o acolhimento inicial, o acompanhamento contínuo no processo de hormonização, ao período pós operatório às pessoas que optam por intervenções cirúrgicas de adequação ao gênero com o qual se identificam. O processo conta com uma equipe multiprofissional que realiza até 8000 atendimentos mensais, entre consultas, exames e retornos. A unidade, ao longo desses dois anos, vem promovendo a integralidade nos cuidados em saúde de seus usuários, contemplando as necessidades da pessoa em todos os níveis de atenção e ouvindo para além de suas demandas explícitas. 

“Aqui buscamos proporcionar todos os cuidados necessários, entendendo-as como pessoas inseridas em um contexto social, familiar e cultural próprio. A partir daí, atendemos às suas demandas e necessidades de modo individualizado. Para isso, constantemente buscamos aprimorar a organização dos nossos fluxos internos, bem como a articulação com os demais pontos assistenciais da rede, de forma que o Projeto Casulo funcione de forma equânime, integral e resolutivo”, disse Camylla Rocha, diretora Técnica da unidade.

Experiência – Lourena Oliveira Pinheiro, de 19 anos, é uma das pacientes atendidas na unidade. Ela disse que ficou sabendo do Projeto através de uma amiga, durante uns ensaios de quadrilha. “Eu já fazia um tratamento hormonal, mas estava sem consulta médica. Ai, foi quando eu procurei a assistência médica, fiz exames e recebi o encaminhamento para a Poli.” lembra.

Já como sendo acolhida no Casulo, Lourena não poupa elogios aos atendimentos na Poli Metropolitana. “Aqui vou fazer minha primeira reposição. Está sendo tudo ótimo, tranquilo. Um atendimento muito bom. Ótimo”, parabenizou.

Garantias – Com o Projeto, o Estado garante todos os procedimentos e assistenciais previstos no processo transexualizador de acordo com a portaria nº 457, de 19 de agosto de 2008, do Ministério da Saúde. Na prática, as pessoas trans contam com um atendimento digno de saúde, que historicamente, estavam em situação de vulnerabilidade. “Hoje, o Estado proporciona a esta população, um atendimento especializado, com diversos agentes envolvidos com um único objetivo: de levar dignidade e humanização. Maio é um marco comemorado, mas com certeza que muito mais ainda vamos fazer para a transformação de vidas”, observou Ivete Vaz, secretária de Estado de Saúde Pública.

Atuação – O serviço não é de porta aberta. O paciente deve primeiro procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS) para ser encaminhado ao Casulo. O diretor-executivo da Poli Metropolitana, Anderson Albuquerque, explica que a Poli atua como ambulatório de média complexidade, oferecendo acompanhamento multidisciplinar para suporte clínico e segurança no processo de adequação.

“Os usuários terão acesso a todo nosso suporte ambulatorial. Esses dois anos do novo modelo do Casulo representam um avanço para o Estado, integrando a rede de média e alta complexidade em benefício dos usuários”, afirmou. 

Após o atendimento na Poli, os pacientes que desejarem realizar os procedimentos cirúrgicos devem ser encaminhados ao Hospital Jean Bitar. Para homens trans a unidade está habilitada a realizar mastectomia masculinizante (retirada da glândula mamária e o reposicionamento da aréola), pan histerectomia (retirada do útero e ovários) e para mulheres trans a cirurgia de implantes mamários de silicone.

Capacitação –Além da assistência à saúde, essa reestruturação traz possibilidades educacionais. A Sespa realiza constantemente treinamento nas unidades de atendimento ao Projeto. A Escola Técnica do SUS Dr. Manuel Ayres, da Sespa, disponibiliza cursos ministrados por representatividades trans – um advogado e uma pedagoga – que atendem desde os servidores da portaria aos médicos.

Em comemoração aos 2 anos do Projeto, a Poli Metropolitana, está com um treinamento aos seus colaboradores para orientar quanto ao fluxo e nome social e pronomes. Ou seja, como tratar o usuário através do modo como a pessoa se auto identifica, sendo reconhecida, denominada e identificada na sua comunidade.
“O nome é tanto um direito individual quanto um dever de interesse coletivo e social. Por isso, promovemos constantemente capacitações para nossos colaboradores, esclarecendo dúvidas e aprimorando o atendimento aos nossos usuários”, afirmou Anderson Albuquerque. 

Satisfação

Para Carla Figueiredo, diretora técnica da Sespa, os “dois anos o Projeto Casulo vem proporcionando mais oportunidades aos pacientes seja por que eles passam a ter acesso aos serviços de saúde do programa ou por que conseguem se sentir melhor nos espaços sociais que ocupam e têm mais oportunidades de emprego, por exemplo. Para a Sespa é muito gratificante celebrar o trabalho que está sendo feito e continuar contribuindo com a construção da dignidade e de serviços públicos de qualidade para essa população”, comentou.   

Por Agência Pará

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