Após mais de duas décadas de negociações, o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia entrou em vigor nesta sexta-feira (1º), criando uma das maiores áreas de livre comércio do mundo. A nova etapa foi assinada em janeiro em Assunção e se aplica de forma provisória por decisão da Comissão Europeia, enquanto o Tribunal de Justiça da União Europeia avalia a compatibilidade jurídica do texto — processo que pode levar até dois anos. Segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), já na fase inicial, mais de 80% das exportações brasileiras para a Europa terão tarifa de importação zerada. Mais de 5 mil produtos brasileiros, entre bens industriais, alimentos e matérias-primas, entram no continente europeu sem impostos.
O setor industrial lidera os ganhos imediatos: cerca de 93% dos produtos com tarifa zero já no início são bens industriais. Máquinas e equipamentos, alimentos, metalurgia, materiais elétricos e produtos químicos estão entre os mais beneficiados. O acordo conecta mercados com mais de 700 milhões de consumidores e um PIB conjunto bilionário. Para setores considerados mais sensíveis, a redução tarifária ocorrerá de forma gradual — de 10 a 15 anos na Europa e no Mercosul, e em alguns casos até 30 anos. O presidente Lula, durante cerimônia de promulgação na terça (28), classificou o tratado como estratégico para o multilateralismo e a cooperação internacional.
Foto: União Europeia/Mercosul

