Arquivo Público abre exposição documental de conflitos agrários durante a Ditadura

Foto: Divulgação

Comemorando 123 anos nesta terça-feira, 16, o Arquivo Público do Estado do Pará realiza a abertura da exposição “Ditadura e os conflitos agrários nos documentos do DOPS”, juntamente com a iniciativa “Calçadas de Histórias”, que fazem parte da programação de aniversário da instituição. As ações são gratuitas e podem ser visitadas até 30 de abril.

Por meio dos documentos salvaguardados é possível visitar a história socioeconômica da região amazônica e os impactos às comunidades tradicionais e camponeses gerados com a chegada de indústrias a partir de 1960, época em que interesses e a política econômica dos governos militares atraíram a implementação de projetos agropecuários e minerais na região Norte, os quais desencadearam conflitos violentos, irreversíveis e históricos para a região.

A mostra contempla o acervo da Secretaria de Estado de Segurança Pública (Segup), com arquivos advindos da Central da Polícia Civil. Os documentos revelam as repressões comandadas por proprietários e empresários rurais e as investigações realizadas pelo Departamento de Ordem Política e Social (DOPS) nos anos 80.

Além disso, na entrada do Arquivo Público estão as “Calçadas de História”, que projeta por meio de painéis a memória do Arquivo Público e sua importância para a preservação de registros da Amazônia.

A exibição nas calçadas tem a proposta de despertar o interesse e a curiosidade dos visitantes sobre todos os domínios e o trabalho do Arquivo Público como instituição arquivista, afirma o diretor, Leonardo Torii. “Por meio de painéis colocados nas grades do prédio, o público passageiro poderá conhecer um pouco mais sobre a instituição, com uma linguagem simples e direta”, pontuou.

Pela primeira vez visitando o Arquivo, a jornalista Priscila Bentes, 30, aproveitou para conhecer o espaço e a exposição em cartaz. Conforme a visitante, a mostra traz à tona a história da nossa região que muitas vezes não é falada nas salas de aulas, cujo acesso a registros desses acontecimentos é um recurso material de revisitar esses locais.

“A gente vê muito a ditadura militar fechada naquele eixo Rio e São Paulo. Então, vir aqui, ter em Belém esses reflexos do que aconteceu, tanto na cidade de Belém como no interior do Estado, é muito interessante para entendermos a nossa própria história e o que aconteceu para realmente não repetir num futuro mais adiante; ter essa reflexão como cidadão mesmo”, acrescentou Priscila.

Ferramenta de conhecimento documental – Embora muitas vezes o equipamento seja associado ao período Colonial e Imperial na Amazônia, o Arquivo Público do Estado do Pará também possui uma rica documentação no que referencia ao período republicano, destaca o pesquisador Márcio Couto Henrique, professor de História da Universidade Federal do Pará (UFPA). Para Couto, há um eixo muito enraizado da Ditadura com acontecimentos somente no Sul e Sudeste, o que acarreta apagamento dos fatos que ocorreram no Norte do país.

“Essa exposição tem papel fundamental de trazer debates sobre conflitos que aconteceram não só no Sul e Sudeste, mas que aconteceram aqui no estado do Pará, contribuindo para que a gente compreenda porque o Pará até hoje continua sendo um estado com muitos conflitos agrários. São vários aspectos desse período tão recente, tão marcante da nossa história”, finalizou.

Texto: Quezia Dias (Ascom Secult)

Por Agência Pará

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