Estudo com base na Pesquisa Nacional de Saúde de 2019 revela que 22,4% das pessoas homossexuais e bissexuais consomem produtos de tabaco, contra 12,7% dos heterossexuais, e a prevalência de vapes entre o primeiro grupo é quase seis vezes maior, segundo a pesquisadora Aline Mesquita, do Inca. A especialista alerta que o tabagismo é o principal fator de risco para doenças crônicas como câncer e problemas cardiovasculares, e que a indústria tabagista investe em ações direcionadas a esse público, como patrocínio de eventos e lançamento de produtos com aromas, para criar uma imagem positiva e atrair jovens. O preconceito e a violência são apontados como fatores-chave para o maior consumo, já que adolescentes LGBTI+ enfrentam maior vulnerabilidade a quadros de depressão e ansiedade, terreno propício ao uso de tabaco e outras drogas. A secretária-executiva do Conselho Estadual LGBTI+ do Rio, Denise Taynah, defende que serviços como os de processo transsexualizador também integrem políticas antitabagismo, enquanto o Ministério da Saúde destacou que, a partir de 2024, os campos “orientação sexual” e “identidade de gênero” passaram a ser obrigatórios no cadastro da atenção primária, ampliando a capacidade de monitoramento. O diretor da Liga Transmasculina, Gab Van, confirmou que a violência e a ansiedade também favorecem o tabagismo entre pessoas trans, reforçando a necessidade de estratégias específicas na rede pública.
Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

